1.INTRODUÇÃO
No Brasil,a preocupação com inclusão social dos grupos vulneráveis passou a ser consistente no final do século passado.Dentre esses grupos,as pessoas com algum tipo de deficiência enfrentam dificuldade para realizar algumas atividades da vida diária e para usufruir de bens e serviços de saúde (Souza, porrozzi, 2009).
Um tipo de deficiência que causa muitas adversidades no processo de socialização é a limitação auditiva (Souza, porrozzi,2009). A pessoa surda vivencia um grave problema sensorial que resulta em dificuldade de comunicação através da linguagen oral tradicional,gerando a dificuldade do desenvolvimento de habilidades em outro canal de expressão,como a lingua brasileira de sinais (Libras) (Quadros,2004).Essas pessoas formam,linguística e culturamente um grupo minoritário,no entanto,grande parte dos cursos de saúde desconsidera essa faceta social,enfocando a deficiência auditiva apenas no âmbito da patologia(chaveiro,Barbosa,porto,2008).
O censo demográfico brasileiro realizado em 2010 contabilizou 5.735.099 pessoas em problemas relacionados á perda auditiva.Esse fato chama a atenção para a necessidade do desenvolvimento social de estratégias que assegurem a comunicação do surdo com a sociedade plural e, em especial, com as profissionais de saúde.Isto por que,os surdos procuram os serviços de saúde,se deparam com condições que interferem de maneira negativa na qualidade do processo de comunicação e,consequentemente,na assistência prestada(Oliveira,Lopes,pinto, 2009).
Na tentativa de entender as demandadas das pessoas com deficiência auditiva,o estado sancionou a lei nº 10.436/2002,que reconhece a libras como sistema linguístico da comunicação surda brasileira(Brasil,2002c),e o decreto de nº 5.626/2005 que estabeleceu.
Art 3º libras deve ser inserida como disciplina curricular obrigatória nos cursos de informação de professores para o exercício do magistério,em nível médio e superior,do sistema federal de ensino e dos sistemas de ensino dos estados,do distrito federal e dos municípios.
§ 2 º A Libras constituir-se-á em disciplina curricular optativa nos demais cursos de educação superior e na educação profissional,á partir de um ano da publicação deste decreto. (Brasil,2005, p.1)
O conselho nacional de educação (CNE) e as Diretrizes curriculares nacionais dos cursos (DCNs) de graduação em enfermagem, Fisioterapia e Odontológica e elencam as recomendações a serem observadas na organização curriculares das instituições do sistema de educação superior do país,objetivando garantir os reconhecimentos gerais e específicos requeridos para o exercício da profissão com competência e habilidades.
Á pesar de tais recomendações não citarem diretamente a libras,mencionam que o projeto pedagógico devem formar um profissional dotado dos conhecimentos requeridos para o exercício das competências e habilidades gerais,dentre elas a comunicação. Além disso,as recomendações do CNE e as DCNs objetivam garantir uma informação que atenda as necessidades sociais da saúde,com ênfase no sistema único de saúde (SUS),assegurando á integrabilidade e humanização da assistência (Brasil, 2002ª, 2002b, 2001),tendo em vista que o processo comunicacional é “um dos desafios enfrentados na humanização em saúde” (Deslandes, Mitre, 2009,p.641).De acordo com a sacristã (2000), um currículo é um comjuto de conteúdos teóricos e práticos selecionados,e criteriosamente organizados,para promover o desenvolvimento de habilidades e competências intelectuais e profissionais nos alunos.Esse processo deve ser permanente e estimular á autonomia dos discentes,considerado as demandas e necessidades prevalentes no processo saúde/do cidadão,da família e da comunidade.Logo,a matriz curricular precisa estar integrada á realidade epidemiológica e profissional da região e do país,contribuindo para integrabilidade das ações do cuidar.
Nessa perspectiva,se tem em vista á considerável prevalência de pessoas surdas no Brasil, em especial na Paraíba,que se apresenta em segundo lugar no ranking dos estados com a maior propoção de indivíduos com deficiência,com mas de 48.000 pessoas tendo relatado grande dificuldade ou incapacidade de ouvir (IBGE,2010). Por tanto ,torna-se necessária a discursão sobre o oferecimento de libras aos estudantes de graduação da área de saúde,sendo á justificativa para tal necessidade de ordem epidemiológica.
Descarte,selecionou-se o objetivo “inserção de libras no projeto pedagógico dos cursos da área de saúde”, com apoio nas seguintes indagações: As instituições de ensino superior (IES) já inserirão á libras na matriz curricular da graduações em enfermagem, Fisioterapia e Odontologia? Se já inseriram,que para mentros norteiam esse componente na perspectiva da integridade e humanização da assistência?
Á comunicação efetiva,por meio do uso adequado das técnicas da comunicação interpessoal,e condições imprescindível para que o profissional,especialmente o enfermeiro,possa ajudar o paciente á atender suas demandas em saúde (Silva, 2006).O estudo se justifica pela lacuna de investigações relacionadas com as dificuldades do surdo para acessar os serviços de saúde devido as barreiras da comunicação. E, também,pela valorização do processo de ensino- aprendizagem da libras,com o objetivo de formar recursos humanos capacitados a proverem o cuidado humanístico ao surdo.
2.METODOLOGIA
Trate-se de um estudo transversal com abordagem qualitativa,realizado no período de novembro de 2010 e junho de 2011, em IES localizadas no estado da Paraíba e credenciadas pelo ministério da educação (MEC), que oferecem cursos de graduações em enfermagem,Fisioterapia e Odontologia.
Para o levantamento dessas IES, foi acessado o site http://emec.mec.gov.br/, do instituto nacional de estudo e pesquisa educacionais Anísio Teixeira (INEP).identificaram-se 16 cursos de enfermagem,10 de fisioterapia e 4 de odontologia,distribuídos em trinta IES localizadas em quatro cidades do estado: João pessoa,campina grande,patos e cajazeiras.
Utilizou-se um diário de campo,em todas as fases da pesquisa para notação de observações é possíveis intercorrências. Primeiramente,realizou-se análise documental para averiguar quais projetos pedagógicos dessas IEES ofereciam á libras como componente da matriz curricular dos cursos selecionados.
Após a identificação dos 24 projetos pedagógicos com resultado positivo para ofertar da libras,procedeu-se o acesso á ementa desse componente curricular em cada projeto,com visitas á elaboração de um questionário composto por questão abertas e fechadas que versassem sobre a compreensão dos coordenadores quantos á utilidades dos objetivos do componentes libras no processo ensino-aprendizagem nas IES.
Em seguida,e após convite,os 24 coordenadores dos cursos das IES que ofertam a libra em seus projetos pedagógicos responderam o questionário produzido pelos pesquisadores.
Os coordenadores foram identificados pelas iniciais do curso (E Enfermagem; F Fisioterapia, O Odontologia) seguidas do número sequencial de coleta. Cada curso crescente. exemplo: E1...E16; F1...F10; e 01...04.
O processo de analise fundamentou-se na analise de conteúdo temático (Bardin,2004) ,que consiste em três etapas:
1) Pré- analise realizou-se uma leitura flutuante dos projetos pedagógicos em que foram identificadas as unidades de registros que permitiram a delimitação de unidades de codificação e a padronização dos elementos de interesse para o estudo.
2) Exploração do material nesta fase,procedeu-se á releitura do material,em associação com o uso de técnicas como: fichamento,levantamento quantitativo e qualitativo de termos e assuntos recorrentes,e foram criados códigos para facilitar o controle e o manuseio do material.Dessas ações resultaram os quadros 1 á 3 (Adequação dos projetos pedagógicos as suas respectativas diretrizes curriculares nacionais,distribuição dos cursos por instituição e oferecimento do componente curricular libras e perfil do componente curricular libras no curso de enfermagem,fisioterapia e odontologia da Paraíba respectivamente).
A relação entre a ementa do componente libras,constante nos 24 projetos,e os dados informados pelos coordenadores dos cursos possibilitou a colaboração do quadro 4.Categorias emergidas da relação entre as ementas e os objetivos do componentes libras nos cursos.
Da padronização obtida com a exploração do material,emergiram quatro categorias temáticas: C1) Compreensão cultural na constituição da relação profissional/Paciente; C2) Legislação aplicada: bases para a atuação profissional ; C3) Libras nas ciências da saúde : Uma prática aplicada ; e C4) Libras : Uma nova língua uma nova estrutura.
3) Tratamento dos resultados obtidos e interpretação nesta fase,as categorias foram analisadas e interpretadas em confronto com os resultados obtidos em outros estudos,por outros pesquisadores.
O estudo surgiu a resolução 196/96 do conselho nacional de saúde.Por tanto segurou-se o anonimato das instituições e sujeitos colaboradores,além de se garantir ao informante a participação voluntária,após instituição sobre objetivo da pesquisa e assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido em duas vias.
3.RESULTADOS
Na análise dos projetos pedagógicos,observou-se a adequação ás respectivas diretrizes curriculares nacionais no tocante ao perfil de egressos dos cursos de Enfermagem,Fisioterapia e Odontologia,com disposto no Quadro 1.
No Quadro 2, observa-se a classificação dos cursos quanto ao tipo,situação,titulação e oferta do componente curricular Libras.Desse modo,participaram do estudo: 14 cursos de Enfermagem,sete de Fisioterapia e três de Odontologia.
Destaca-se que este componente não é ofertado por nove cursos,sendo seis de IES públicas e três de instituições privadas.
Em relação aos cursos de Enfermagem,11 são de instituições privadas e três são de publicas.A maioria deles (n=8)oferece o componente curricular Libras.já os cursos de Fisioterapia,cinco são de instituições privadas e dois são de públicas dentre os quais,cinco oferecem esses componentes curricular quanto aos cursos de Odontologia,um é de instrução privadas e dois são de públicas,é somente um oferece libras.Dentre as IES pesquisas,apenas duas separa(E4, E9) POSSUEM O CURSO DE LICENCIATURA,ambas são públicas e o componente curricular libras não está sendo oferecido.
Os cursos E11 e F4 oferecem o componente curricular libras desde de 2006 e 2007,expectivamente.além da libras inserida na matriz do currículo, o E10 tem um projeto de extensão em relação a libras em um hospital público de João pessoa;e E11 oferece,aos alunos,em inserção em um centro de referencia ao atendimento de pessoas surdas na capital do estado.Os coordenadores do curso E2,E7 e F2 responderam que o componente libras já consta no currículo,entre tanto ainda não foi disponibilizado ao estudante.Os demais cursos(n=12 incluirão a libras no currículo a partir de 2009.
No quadro 3,são destacadas as características do componente curricular libras dos cursos (n= 14),indicando-se: curso,disponibilidade semestral do componente,classificação e carga horária.
Os coordenadores dos cursos E8, E10, E11, E12, F2, F4 e F6 citaram a vinculação de professor qualificado com especialização e experiência na interpretação da Libras; o coordenador de O3 afirmou a qualificação de mestre de seus docentes.
Esses docentes desenvolvem atividades acadêmicas e pedagógicas,atuando como facilitadores do processo ensino-aprendizagem desse componente.
Neste estudo foi encontrado um quantitativo expressivo (58%) de oferecimento da Libras como componente curricular optativo entre as IES pesquisadas,com cargas horárias que variaram de 22 a 60 horas,bem como ementas que tratam dos aspectos cultural,legal,legal,linguístico,prático,e com aplicações ao atendimento em saúde.porém,essa realidade seguia paralela a respostas imprecisas quanto á saúde.porém,essa realidade seguia paralela a respostas imprecisas quanto á organização do componente,formação do profissional de libras e suas atribuições.
Em relatos dos coordenadores cujos cursos ofereceram a libras a partir de 2010,registrados em diários de campo,constatou-se ainda que a “exigência” do MEC foi condição detreminante para a implantação ágil do componente no currículo dos cursos de saúde.
Os conteúdos das ementas investigadas abordam temas como: a cultura da comunidade surda,a Libras e sua estrutura lingustica,a abordagem prática de comunicação,política e legislações inclusivas.
No Quadro 4,constam as categorias temáticas emergentes da relação entre a ementa do componente Libras e o objetivo do processo ensino-aprendizagem da Libras informado pelos coordenadores,destacando-se os cursos em que houve essa relação.
4.DISCUSSÃO
No Quadro 1,a “Formação generalista,humanista,crítica e reflexiva”apareceu como recomendação das DCNs comum aos projetos pedagógicos dos cursos estudados.Outrossim,a graduação em Enfermagem destacou-se como o curso de maior consenso em relação á inserção das DCNs no perfil do egresso.
A constatação supracitada é relevante,pois,a partir de2001,as DCNs dos cursos de graduação em saúde indicaram novos caminhos e estratégias para inovar e transformar a orientação e organização dos cursos,correspondendo ás necessidades reconhecidas como relevantes ao SUS e á população (Ceccim,Feurerwerker, 2004).Afirma-se que a formação do profissional de saúde deve comtenplar o sistema de saúde vigente no país,o trabalho em equipe e a atenção integral á saúde(Brasil, 2002ª, 2002b, 2001).
No entanto,as DCNs constituem apenas uma recomendação,já que,no Brasil,as universidades têm autonomia,definida,na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB),como prerrogativa de criação ,expansão e modificação de cursos e programas de educação superior,e também ,de fixação dos currículos de seus cursos e programas.Nesse sentido,acredita-se que o processo de aproximação e construção de compromissos entre a universidade e os serviços/sistema de saúde favoreça a ampliação da responsabilidade pública e da relevância social da universidade (Cecim, Feuerwerker, 2004).
Gonzalez e Almeida (2010) recomendam enxergar a realidade além dos limites disciplinares e conceituais do conhecimento. Ito et al. (2006) ressaltam a necessidade do compromisso da Educação Superior com a formação de profissionais competentes,critíco-reflexivos e de cidadãos que possam atuar não apenas em sua área de formação,mas também no processo de transformação da sociedade.
Relativamente á formação dos profissionais,as DCNs abrem a possbilidade de as IES definirem diferentes perfis de seus egressos e adaptarem esses perfis ás transformações das ciências conteporaneas e ás necessidades sociopolítico-econômicas da sociedade(Ito ET al., 2006). A construção de um novo modelo pedagógico deve ter como perspectiva o equilibrio entre excelência técnica e relevância social,como princípios para nortear o movimento de mudança,que deve estar sustentado: na integração curricular,em modelos pedagógicos mais interativos,na adoção de metodologias de ensino-aprendizagem centradas no aluno como sujeito da aprendizagem,e no professor como facilitador do processo de construção de conhecimento (Campos, 2001; Feuerwerker, Sena, 1999).
Por outro lado,foi procupante a constatação da lacuna do oferecimento de Libras nos cursos de lincenciatura de instituições públicas,pois,além de os profissionais formados necessitarem de tal conhecimento em sua prática,esse dado descumpre o Decreto nº 5.626/05,que recomenda a inserção da Libras como componente curricular obrigatório nos cursos de formação de professores para o exercício do magistério,em nível médio e superior.
Diante do oferecimento da libras posto como compulsório em alguns cursos,é necessário salientar que a qualificação do professor de Libras é muito importante,pois tal componente curricular exige do profissional a fluência na língua de sinais.E,no caso do Brasil,da língua portuguesa,para que as mesmas tenham concordância,prestígio e rigor.Porém,devido aos poucos profissionais na área,torna-se difícil o cumprimento da legislação e a formação de educadores e profissionais bilíngues (Martins, 2008).
No quadro 2, observou-se que a despropoção quanto á oferta do componente Libras entre as instituições privadas desmonstra que as instituições privadas estão mais atentas ás recomendações do Decreto nº 5.626/05 do que as instituições públicas inseridas nesta investigação.
O desinteresse nesse tipo de formação,verificado no estudo de Souza e Pozzori(2009), indica a não- existência de uma disposição reflexiva sobre o tema,tampouco preocupação com a realidade social.Nesse sentido,as ementas do componente curricular Libras deveriam permitir uma aprendizagem concreta da língua e sua aplicação no âmbito profissional.
Autores relatam que o ensino de Libras tem baixo status porque não existem sistematização e avaliação do processo de ensino–Aprendizagem,não á conteúdos definidos por serie,nem a exigência de avaliação que permita diagnostica o nível de aprendizagem e desenvolvimento da Libras por parte dos alunos (Cavalcante etal., 2004).
A Libras é uma língua,portanto aprendê-la vai além do momento em sala de aula,exigindo um contexto e contato com a cultura em questão.Nesse aspecto,Martins(2008) frisa que é preciso cuidado,tanto por parte do MEC como das IES,para que o ensino da Libras não se torne superficial.Entende-se que a inserção da Libras deve buscar promover uma aproximação maior com o tema e discussões entre discentes e docentes da área da saúde,sensibilizando-os a rever suas praticas de cuidado,para a promoção da integrabilidade e humanização na assistência aos surdos.
Assim,para atenderem ás recomendações dos perfis desejados e poderem realizar um atendimento integral,Souza e Porozzi(2009) trazem como elementar que os profissionais da saúde sejam capazes de se comunicar de maneira eficiente com os usuários surdos,dando ainda um destaque para aqueles que atuam na Atenção básica.Isso poderia ser viabilizado,inicialmente,pela inclusão e fortalecimento do componente Libras para todos os cursos,com obrigação legal de disponibilizá-lo,sendo a oferta desse componente no próprio currículo um importante passo para um melhor atendimento desse tipo de usuário.
Em seu estudo,Souza e Pozzori(2009)apontam quão é importante os cursos de saúde terem uma visão mais acolhedora na implantação do componente Libras em seus currículos,sugerindo até que,a médio e longo prazo,o refirido componente se torne obrigatório em todos os cursos da área de saúde.Tal opinião se embasa na não-atração que esse componente curricular,como optativo,provoca nos estudantes,que podem não ter noção da importância do mesmo em suas vidas profissionais.
Na analise da categoria compreensão cultural na construção da relação profissional/paciente,destacam-se os seguintes trechos extraídos das ementas:
“Aspecto histórico da comunidade surda,aspectos clínicos,Educacionais e sócio-antropológicos da surdez”. (E11)
“Posicionamento crítico e interativo quanto á importância da utilização da Libras no atendimento ás pessoas surdas.” (F4)
“[...] estudo da língua de sinais,para a comunicação no cotidiano com o surdo.” (03)
Esses recortes,representativos da maioria das ementas de cursos investigados,focam á atuação direta do profissional para com o paciente,copreendendo seu contexto biológico social e cultural.
Para Santos (2013), uma instituição educacional resignificada dentro do paradigma inclusivi necessitar coprende que não é á quantidade de conteúdo que garanti uma boa formação,mas,sim,todo um conjunto de fatores:Pedagógicos,Culturais e Sociais.Nessa perspectativa,as ementas coletadas apresentam a preocupação das IES em contextualizar o tema em questão,bem como de contribuir para o entendimento da cultura dos surdos.
Em seu estudo,Santos e Shiratori (2004) desvelam as necissades de saúde da comunidade surda e revelama comunicação como a maior barreira enfrenta por estes usuários em serviço de saúde.Segundo seus entrevistadores,o estabelecimento da comunicação profissional /Pciente facilitaria bastante o estabelecimento de suas duvidas durante o atendimento.
Salienta-se que o acesso ainda é um problema que vem sendo enfrentado na implantação plena e no funcionamento de serviços de saúde,pois algumas barreiras dificultam a entrada do usuário na atenção á saúde.No caso da comunidade surda,a barreira de comunicação com profissionais não conhecedores da libras inflem diretamente na ultilizaçao dos serviços e na resolução do problemas (Freire et al., 2009).
Nesse sentido Santos e Shiratori (2004) evidenciam que o atendimento do contexto social e da vida do surdo,bem como o relacionamento com o profissional de saúde ficam extremanente complometidos,devido a não-construção de “elos) acarretada pelo despreparo dos serviços e profissionais de saúde para atender esta crientela.
Em relação a categoria Legislação Aplicada: bases para atuação profissional,as ementas expressaram:
“Lei 8.213/91 e o acesso do surdo ao trabalho.” (E6)
“[...] concientizados os alunos sobre o uso da Libras sobre responsabilidade social de atender os surdos em Libras de acordo com a legislação vigente.” (E7)
Os recortes possibilitam a coprensão de que os cursos reconhecem a utilidade pratica da libras nos serviços de saúde ; e, ao citarem a lei 8.213/91, demonstran-se conhecedores dos benefícios do auxilio-doença,estabilidade no emprego,aposentadoria e regime de previdência social que essa lei assegura aos surdos.Entre tanto,apenas o coordenador do curso E8 afirmou á abordagem de legislação inclusivas nos objetivos do componente Libras de seu curso.
As normas em defesa de mas inclusão das pessoas surdas vem sendo publicadas e devem ser de conhecimento geral.Assim,as IES precisam se preocupar com o conhecimento das leis e portarias que norteiam a formação do profissional de saúde,que garantem a inclusão social da comunidade surda e o direito dos surdos á uma comunicação eficiente nos serviços de saúde.
O conhecimento dessas peças jurídicas é importante,pois a barreira de comunicação afeta o cuidado em saúde, desde de o acesso ao atendimento clinico,comprometendo,sobre tudo,a formação de vinculo profissional /usuário,colocando em risco a assistência integral (chaveiro,Barbosa,porto,2008).
Nesse sentido,a categoria Libras nas ciências da saúde :Uma pratica aplicada enfoca a valorizaçao atribuída pelos cursos ao uso da libras pelo profissional de saúde:
“Aprendizagem,comprenssão,analise e uso da língua de sinais brasileira e os movimentos do corpo e mãos envolvidos em cada sinal.” (F7)
“Recepção e emissão da língua de sinais.” (03)
“[...] sinais específicos para trabalho.” (E11)
Os recortes expressam a preocupação com a aprendizagem dos sinais da Libras próprios para atuação no trabalho,refletindo a importância da comunicação eficaz entre profissionais de saúde e pessoa surda.
Sendo a Libras uma língua de expressão de natureza visual-motora,com estrutura gramatical próprios ,faz-se a necessário um atendimento pratico de sinais do seu sistema linguisto para transmisão de ideias e fatos (Brasil, 2002c).
Essa necessidade também é citada por Cardoso,Rodriges e Bachion (2006),quando afirmam que a atentativa de comunicação dos profissionais de saúde com essa crientela se dar o meio de formas rudimentares e ,frequentemente,á necessidade de que um acompanhante esteja presente para fazer a intermediação.
Outro ator de destaque neste processo de intermediação ente pessoas surdas e os profissionais de saúde são os tradutores / intérpretes de Libras,que se comunicam com os pacientes surdos e buscam repassar as informações da maneira mas precisa,evitando a presença de uma terceira pessoa que não seja profissional.Esses profissionais podem minimizar as dificuldades enfrentadas pelos surdos,os quais apresentam necesssidades especificas e,por isso,encontram barreiras para participar plenamente de varias atividades sociais regulares,devido ao obstáculo da comunicação (Oláh,Oláh,2010).
Toda via,existem algumas criticas e limitações para a atualização dos intérpretes.Sua presença durante o atendimento pode aumentar o constrangimento,colocar maior risco ao direito de sigilo e privacidade,bem como a qualidade das informações repassadas ( chaveiro,et al.,2010),já que na saúde há conhecimentos é uma linguagem técnica específicos da área,e que podem ser desconhecidos pelo interpretes,comprometendo a transmisão da informação ao paciente.Outra critica a participação de interpretes esta relacionada com o estabelecimento dos vínculos.Freire et al. (2009) destacam a dificuldade de formação de vinculo profissional /usuário quando não se estabelece á comunicão direta entre os mesmo.
Uma estratégia para minimizar tal problemática pode ser os estabelecimento de sinais padronizados.Souza e Pozzori (2009) resultam a necessidade da Libra no âmbito da saúde para popularizar e padronizar sinais específicos e passiveis de identificação pelo surdo.Citam ainda que novas palavra estao sendo incorporadas no dicionário de Libras,através da criação de uma apostila com sinais específicos apropriados referentes a área de saúde.
Por tanto,a utilização da Libras deve torna-se uma pratica aplicada,pois os profissionais da saúde relatam que não se sentem preparados para atender pacientes surdos por não conseguirem estabelecer uma comunicação afetiva,fator que causa desconforto tanto aos profissionais quanto aos pacientes (Oliveira,Lopes,Pinto,2009; Pagliuca,Fiúzia,Rebouças, 2007).
Assim,no caso especifico do surdo e da assistência em saúde,acredita-se que a capacitação de recursos humanos para estabelecer uma comunicação eficaz com esse paciente possibilita que o profissional entenda as suas necessidades,comprendela-o como ser holístico e preste assistência adequada,minimizando seu sofrimento (Pagliuca,Fiúza,REBOUÇAS, 2007).Nesse contexto,é inportante que haja um entendimento,por parte de estudantes e profissionais,sobre a importância de se estudar Libras como língua que pode melhorar sua atuação laboral.
Além de reconhecer a relevância da Libras para assistência em saúde,na categoria Libras: uma nova língua,uma nova estrutura,as ementas destacam as categóricas características da estrutura da Libras:
“[...] morfologia da língua de sinais,datilologia e alfabeto manual.O nome próprio [...] Libras em contexto versos língua português falada e escrita. [...] partículas de negação e textos para interpretação.” (E6)
“[...] estrutura gramatical analise textual [...];sinais gerais ;tempo;verbos;substantivos, adjetivo”.(E11)
“Aspectos fonológicos,morfológicos e sintáticos da linguagens de sinais brasileira.”(F7)
Como relata Martins (2008), ainda há uma compreensão sobre o reconhecimento da Libras como a língua oficial da comunidade surda.Ela possuem uma estrutura diferente dos padrões tradicionais e clássicos da linguística.A compreensão dessa estrutura foi uma citação unãnime nas ementas estudadas,evidenciando a importância dada ao conhecimento da construção do signo ( significante e significado) na compreensão verbal e gramatical próprias da língua,porém em apenas três cursos(E5;E6;E7)os objetivos corroboram as ementas.
Dessa forma considerando o momento de incorporação da Libras no currículo dos profissionais de saúde,é importante que haja uma constante avaliação de como esta se dando seu planejamento e implantação,devido á necessidade da formação de profissionais com visão integral do cuidado em saúde,inclusive para a comunidade surda,compreendendo seu contexto social,conhecendo a legislação vigente e estabelecendo uma comunicação eficiente para a construção do vinculo profissional/paciente.
5.CONCLUSÃO
A comunicação é um processo de interação no qual se compartilham mensagens,ideia,sentimentos e emoções.Na assistência em saúde ,partir de uma boa comunicação estabelecida se poderão identificar e resolver as necessidades dos pacientes de forma humanizada e integral.
Constatou-se que as instituições,especialmente as privadas,têm buscado atender á determinação legal e ás recomendações do MEC Quanto a adequação da matriz curricular dos projetos pedagógicos,inserindo a Libras como componente optativo,para atender ao perfil de profissionais humanistas,críticos e com uma atuação inclusiva.
Adoção do componente curricular Libras,por meio da elaboração de ementas e conteúdos com ênfase na inclusão social de pessoas surdas,aliada á contratação de profissionais qualificados e, Linguas de Sinais,foram observadas como parâmetros para as ações educativas e inclusisas das instituições, a formação dos profissionais de saúde contribui para o atendimento integral e equânime a todos os cidadãos.
Contudo,observou-se que as instituições com cursos de licenciatura relataram não haver previsão de cumprimento da lei que estabelece a obrigatoriedade do componente curricular Libras,Tal fator é preocupante,pois tais instituições também estão formando educadores,e a ausência de discussão acerca desse tema pode afetar negativamente o desenvolvimento de competências e habilidades.Profissionais comprometidos com a realidade social,com visitas a uma prática humanizada,acolhedora e integral.Além de retardar o processo que amplia a inclusão das pessoas surdas também na área da educação.
O processo de mudança na formação do profissional de saúde ainda precisa ser acompanhado e avaliado,por tanto sugere-se investigar a percepção dos estudantes (surdos ou não )sobre a discussão da inclusão social das pessoas e da cultura dos surdos.E a realização de outros estudos na área ,objetivando avaliar a qualidade da oferta do componente Libras,para tornar efetiva e eficiente a contribuição desse novo e importante conhecimento para os profissionais de saúde.
6.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
http://www.pr.senai.br/portaldelibras
http;//somoscegossurdosemudos.blogspot.com.br
Ana Ferreira
Gleydson Wendel
Ivanessa Simões
Joellem Moura
Maurilio Roberto
Nataly Alves
Tatiana Barros
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